Nesse feriado de finados acho importante falar sobre o sentimento que nos ronda hoje: o luto.
Luto não é só quando a gente perde alguém amado: é o sentimento de perda ou quebra de um elo com qualquer coisa. Por isso não é preciso que morra alguém próximo para que a gente passe pelo luto; a gente passa por ele muitas vezes durante a vida e em todas elas precisamos fazer alguma elaboração para continuar vivendo.
Não aceitar – ou só “engolir” – esse sentimento são formas de atrapalhar a elaboração. O sentimento de perda é natural, afinal temos uma expectativa em cima de tudo e a quebra dessas expectativas gera muitos conflitos: imagine que você passou anos da sua vida economizando para comprar uma carro e quando finalmente conseguiu juntar dinheiro, descobre que o preço do carro subiu ou que não é mais fabricado. Isso é uma quebra de expectativa, que vem acompanhada de um luto. E ele precisa ser trabalhado.
Nas crianças o luto é um pouco mais complicado pois a falta de maturidade emocional- seguida de algumas orientações ruins do tipo “engole esse choro” – costumam aumentar a dor da perda; por isso é importante não impedir que crianças expressem seus sentimentos para aprenderem a lidar com as frustrações que virão ao longo da vida.
Mas essa dica vale tanto para crianças quanto para adultos: é normal ficar triste com as perdas, não só das pessoas que perdemos mas também com as pequenas coisas. O problema é quando ignoramos esses sentimentos para “não demonstrar fraqueza”.
O trabalho de elaboração do luto é fundamental para nossa saúde.
Lutos são como sementes: quanto mais fundo os enterramos mais fortes eles crescem e acabam dando frutos indesejados.
Seja pela perda de alguém amado ou daquele objeto estimado, respeite seu tempo de elaboração do luto.

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