Precisamos nos acostumar com o fim das coisas

Finais são tristes, isso é inegável. Conheço muita gente que reclamava do tempo de escola – que era chato, que não via a hora de formar – mas quando chegava perto da formatura ficava apavorado porque o “fim estava chegando”. Mesmo quando algo nos desagrada temos medo dos finais.

Mas há algo nisso que vem me chamando a atenção: o medo de términos tem feito algumas pessoas se agarrarem à coisas que fazem mal. Vejo pessoas sofrendo por conta de situações ruins em que estão envolvidas mas não têm coragem de terminar. E escuto sempre as mesmas respostas: “Mas eu não sei o que fazer depois” ou “Tenho medo que isso acabe”.

Há também outro fenômeno parecido: o das pessoas que sofrem pela possibilidade de algo acabar. Já escutei pessoas que, ao começar um namoro por exemplo, sentem angústia pela remota possibilidade do término: “Mas e se acabar?”, me perguntam. Essas pessoas entram num ciclo de ansiedade que as impede até de aproveitar o que vivem. E isso se repete em vários outros momentos:

  • Entram num emprego novo mas, impossibilitado pelo medo de serem demitidos, não conseguem desempenhar suas funções;
  • Entram em um curso bacana, mas o medo de serem reprovados os impede de estudar;
  • Começam uma tarefa, mas o medo de não conseguir terminar não deixa que façam direito ou ter prazer naquilo.

O medo do término cria uma ansiedade tão grande que faz com que o fim chegue mais rápido – ou nem deixa curtir aquilo direito.

Essa recusa em aceitar finais é evidente até nos filmes: mal saímos do cinema e já perguntamos: “Quando vai sair a sequência desse filme?”. Pensem nos filmes de maior sucesso dos últimos anos: Vingadores, Harry Potter, Piratas do Caribe; todos têm continuações. Agora estão fazendo continuações para filmes antigos também: Os Caça-fantasmas, Predador, Rambo. Alguns desses filmes nem precisam de continuação, só o original já tem uma história boa o suficiente. Mas não conseguem aceitar o final e ficam estendendo as histórias.

É preciso aceitar que o fim existe, até pra poder aproveitar as coisas enquanto elas acontecem, senão vamos sofrer por antecipação ou estender aquilo indefinidamente até a exaustão.