Pressa, ansiedade e desistência

Há algumas semanas um paciente me procurou dizendo que interromperia seu tratamento pois “Não estava obtendo os resultados desejados com o tratamento”. Questionei quais resultados seriam esses e a resposta foi que: “Após cinco sessões não havia percebido melhora e que sentia que estava perdendo tempo”. Ansioso, disse não poder esperar mais e que tentaria outras alternativas. Me agradeceu e desligou o telefone.

Infelizmente não tive mais notícias dele, mas em sua fala tive várias notícias da ansiedade que me relatou ao longo das cinco sessões em que compareceu: a pressa, o sentimento de que aquilo que faz não está bom, o sentimento de estar sempre atrasado e, por fim, a desistência. Não estou o culpando por nada aqui, apenas apontando o que pode acontecer com uma pessoa ansiosa.

A ansiedade tem como uma de suas manifestações a ideia de que estamos “perdidos no tempo” ou “atrasados na vida” e sempre tentando “recuperar o tempo perdido”, por isso o sentimento de pressa e o desejo de que tudo se concretize muito rápido. E quando não conseguimos os resultados rapidamente – e mesmo se vier rápido vai parecer que demorou – sentimos que estamos fazendo aquilo errado. Ao analisar a situação vamos ficar confusos pois não sabemos a resposta prontamente de porque estar “dando errado” e vamos querer abandonar tudo e começar do zero outra coisa. Tudo por querer resolver um problema com pressa.

Claro que problemas difíceis existem, mas para uma pessoa com ansiedade qualquer problema vai parecer um grande problema.

Agora, se somarmos isso às às comparações que fazemos de nossas vidas aos perfis do Facebook, ao sentimento de que todo mundo sempre está feliz (já que ninguém posta tristeza no Facebook ou Instagram), à vergonha em pedir ajuda (já que todo mundo parece saber se virar sozinho, quem precisa de ajuda deve ser um fracassado) e à percepção atrapalhada de tempo (parece que todo mundo consegue tudo muito rápido), no fim desistir e tentar algo mais fácil vai parecer uma opção bem válida.

Mas não é. Esse ciclo se repete com outras coisas.

O ideal seria se todos pudessem entender que tudo e todos tem seu tempo na vida, que nada vem pronto e que tudo precisa de tempo pra ser trabalhado. Pra isso precisamos de paciência. O ideal seria conseguir analisar a situação e entender que a confusão é normal ao resolver qualquer coisa: os problemas surgem exatamente por não sabermos a resolver as coisas e pra conseguir resolver vamos atravessar um período de confusão por não entendermos o que está acontecendo ali. O sentimento que estamos errados vai surgir, por isso não precisamos ter vergonha de pedir orientação; como diriam nossas mães: ninguém nasce sabendo, peça ajuda!

O caminho até solucionar o problema pode ser longo, mas a solução vem. O primeiro passo é entender que leva tempo, o resto chega no tempo certo.

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