Brinquedos, tecnologia e imaginação

Quando era criança meus brinquedos eram muito simples e pra brincar com eles era preciso usar a imaginação: os bonecos mais evoluídos da época, quando muito, mexiam a cabeça e os membros de forma muito pouco realista. Os mais simples mexiam os braços pra cima e pra baixo, isso quando mexiam. Esses dias vi uns bonecos dos “Cavaleiros do Zodíaco” (que nem chamam mais bonecos e sim ACTION FIGURES) que até trocam de rosto pra mudar a expressão – na minha época a gente tinha que interpretar os sentimentos dos bonecos porque eles estavam sempre sorrindo.
Os brinquedos evoluíram ao ponto de não demandar muita imaginação das crianças pra brincar; eles já vem prontos, fazendo uma determinada função: tem a boneca que anda, tem a boneca que dorme, tem a boneca que chora – e a propaganda diz que precisa ter as três. Antes era a criança que imaginava as ações, hoje nem isso.
Fiquei pensando em como a modernidade tem impedido as pessoas de exercitar a imaginação e a individualidade. Tudo hoje tem um aparelho que faça, um aplicativo que ajude ou um programa que facilite; o sujeito não precisa fazer mais muito esforço, está tudo pronto, mecanizado, enlatado. Isso não deve ser saudável. Tem até aplicativo pra lembrar as pessoas de beber água! Antigamente o corpo nos lembrava disso quando sentíamos sede!
Mas o que mais me incomodou foi achar uma playlist chamada “PASSEANDO COM O CACHORRO” no Spotify. Gente, até a música do momento tá vindo pronta agora. Antigamente eu procurava um CD que gostasse e colocava pra tocar na hora de passear, agora tem música específica pra isso! Credo.
Eu vou continuar escolhendo minhas músicas pelo menos. Que fiquem longe de mim esses gostos enlatados e essas coisas prontas.