A minha história com a Psicologia

Hoje, 27 de agosto, é comemorado no Brasil o “Dia do Psicólogo“. A profissão que mais incita “porquês” no mundo. Sempre que alguém encontra um estudante de Psicologia é feita a pergunta: “Mas por que Psicologia?”. Não vejo essa pergunta ser feita a estudantes de Engenharia ou Medicina, mas todo mundo pergunta para os de Psicologia.

Afinal de contas, por que alguém vai querer trabalhar cuidando de problemas alheios? Mas se pensar bem, todas as profissões existem para isso, afinal ninguém procura um engenheiro se não estiver com um problema pra resolver em alguma construção, não é? Todo mundo sempre me perguntou o motivo de eu ter escolhido a Psicologia como profissão, vou aproveitar a data e contar pra vocês.

Minha história com a psicologia começou não foi exatamente com a psicologia: começou quando eu fiquei impressionado com um cheque.

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Eu aos cinco anos, quando comecei a fazer as perguntas que me trouxeram hoje à Psicologia.

Eu tinha 5 anos e vi minha mãe preenchendo um cheque e perguntei pra que era aquilo. Do seu jeito, ela me respondeu que era pra pagar uma conta, mas eu não fiquei satisfeito com aquela resposta e fiz um monte de perguntas. Na época eu não sabia como perguntar as coisas; eu queria saber qual era a história do cheque, qual sua real finalidade, quem inventou, entre outras coisas, mas fiz uma confusão tão grande que mãe não soube responder e deu um jeito de me fazer ir embora com minhas perguntas. Daquele dia em diante eu comecei a perguntar o que era tudo: significado das palavras, por que as coisas eram de um jeito e não de outro, etc. Me tornei uma criança muito curiosa – e muito irritante com minhas perguntas.

Como não sabia explicar o que queria saber nunca tive minhas dúvidas respondidas e comecei a pensar em como me expressar melhor para que as pessoas conseguissem me responder. Comecei a perceber que muitas vezes não nos expressamos bem e acabamos tropeçando nas palavras, usamos termos que fazem sentido para nós e não para o outro, percebi também que algumas palavras são usadas só em um lugar (como a mandioca que é chamada de aipim pelos cariocas e macaxeira pelos nordestinos) e essa relação das palavras com o sentido delas começou a me fascinar. Nem sempre o que as pessoas falam é o que elas querem dizer; as palavras têm sentidos diferentes para cada um; dependendo do jeito que falamos, um elogio pode parecer ofensa. De tanto me perguntar sobre as palavras, acabei percebendo que as ações das pessoas eram iguais: as pessoas também agiam confusas pois muitas vezes não sabiam expressar suas vontades e acabavam literalmente perdidas. Essa vontade no centro de qualquer ação passou a ser minha maior pergunta: afinal, o que as pessoas querem? Qual é a motivação delas?

Essa pergunta me colocou na frente da Psicologia pela primeira vez, isso aos 12 anos. De alguma forma eu já sabia o que eu queria fazer no futuro: eu queria entender qual era a raiz de qualquer ação que as pessoas tomam, o que elas querem dizer com suas ações, por que elas agiam daquela forma, etc. Eram perguntas muito complexas para uma criança, mas eu não as deixava de lado; lembro que ficava analisando personagens de desenhos animados para descobrir suas reais motivações, tanto que meus personagens favoritos são sempre os mais complexos como o Batman ou o Hiey de Yuyu Hakusho.

Foi um longo caminho até conseguir entrar na graduação. Comecei o curso só depois que ganhei a bolsa integral aos 22 anos, durante a formação tive alguns percalços que quase me fizeram desistir, mas me formei e hoje estou aqui, todo dia tentando desvendar o que as pessoas querem em suas vidas e ajudando elas a alcançar seus objetivos da melhor forma possível.