“Seja você mesmo” – Será essa a resposta?

Quantas vezes escutamos de amigos, familiares e colegas que a melhor solução para nossos problemas é “ser você mesmo”? “Seja você mesmo e tudo se resolve!”. Quantas vezes escutamos essa frase e saímos com mais dúvidas que antes, talvez até duvidando se estamos sendo honestos com o mundo e fingindo ser algo que não somos? Mas afinal de contas, como podemos seguir o conselho de “ser você mesmo” se nem sabemos que não estamos sendo?

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“Ser você mesmo” seria como tentar imitar uma imagem borrada de um espelho. Nossa imagem está lá, mas é preciso entender primeiro o que vemos. Imagem: freepik.com

O que é “ser você mesmo”? Quem garante que o problema que estamos passando não é por sermos verdadeiros demais e isso magoa as pessoas? Então “ser você mesmo” seria ser menos verdadeiro? E qual a medida pra descobrir o que é isso? É o comportamento do outro que deu certo e devemos copiar? Se for isso, então não estamos sendo “nós mesmos” e sim copiando outros. E se a medida for agirmos da forma como nos sentimos melhor e isso for se comportar de forma egoísta e miserável com os outros? Vale a pena “ser você mesmo” nessa situação?

Acreditar na filosofia do “Seja você mesmo” é acreditar que já sabemos prontamente a resposta para nossos problemas e que mesmo assim continuamos fazendo errado, fingindo que não sabemos e sofrendo com isso. Ora! Se isso fosse verdade o fingimento seria descartado e começaríamos a ser nós mesmos prontamente pra parar de sofrer. O problema é que não estamos fingindo: somos assim pois não sabemos ser de outra forma e sofremos exatamente por isso. Queremos a resposta mas não sabemos onde encontrá-la.

Nos tornamos o que somos à medida que vivemos e isso é um processo que leva a vida inteira e que nunca vai acabar. Não existe um “ser” pronto. A única coisa que podemos afirmar que somos na verdade – e devemos assumir que somos sem hesitar – é que somos eternos alunos da vida, sempre aprendendo e em eterna mudança e evolução.

Muitas vezes esse aprendizado é difícil, sofrido, não damos conta dele sozinhos e precisamos de ajuda de amigos, família ou de um psicólogo. O aprendizado é longo, pleno e realizável, mas nesse meio tempo vamos encontrando as respostas pra resolver todos esses problemas que nos fazem sofrer.

Então, quando alguém disser pra que você “seja você mesmo”, se assuma como aluno e não sofra por não saber a resposta na hora. Busque a resposta, procure ajuda e entenda que não somos prontos e sabedores do mundo: somos aprendizado, longo, complexo e incompleto.

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